Falaram comigo

Adultos... 

“...sinto-me sem forças! Tenho 23 anos, estou no 4º ano da faculdade e não consigo estudar... estou no curso que eu gosto e do nada, ando desmotivada...desinteressada... só me apetece ficar na cama e deixar o tempo passar...”

“...alivia-me, sabe! A dôr que eu sinto ao cortar-me, o sangue a aparecer, a escorrer.. é quase viciante ... mas já não aguento mais. Algo que era esporádico, agora é necessário para aliviar a tensão que eu sinto. Vejo-me marcada... e não gosto do que vejo.”

“O meu mundo parou. Fiquei sem chão. Ao fim de tantos anos juntos, tanto investimento, em nós, nos filhos... descubro outra mulher na vida dele! Não sei o que faça. Descubro que dependo dele e estou perdida. “

“O meu coração dispara, a minha respiração aumenta, transpiro, sinto que vou morrer...procuro ajuda, vou ao médico...todos me dizem o mesmo. Não tenho nada. Chamam ataques de pânico! “

“De repente dou por mim a fazer aquilo que sempre critiquei no meu pai: a bater na minha mulher. Sabe, ela descontrola-me. Depois arrependo-me e choro... Já não sei o que fazer para controlar este meu lado que não gosto mesmo e que apesar de tudo me assusta.”

“...ando a beber demais. Não sinto que seja meu descontrolo. Não, não sinto isso. Mas toda a gente diz isso, que ando a beber demais. O meu receio é achar que posso mesmo estar a beber demais e não ter consciência disso.”

“Prescindi de mim. Investi nos filhos. Agora, cada um está a seguir a sua vida e eu estou a sentir-me vazia, triste, sozinha. Nem o meu casamento me contém. De repente fiquei sem nada, não tenho nada.”

“Estou sempre doente. Vou aos médicos, faço exames e não acusa nada. Mas eu sei que tenho alguma coisa. Não ando bem... tenho alguma coisa e é grave, eu sei. Agora disseram-me para procurar um psicólogo. Mas eu não estou maluca. Eu sei que não estou. Mas pronto, foi por isso que vim aqui.”

“...sabe, é uma insegurança constante. Não consigo estar de outra maneira a não ser numa constante desconfiança e insatisfação. As mensagens que ele recebe, os telefonemas, por mais que eu veja que ele não mente, para mim, são sempre mulheres. E depois imagino casos, romances...estou tão cansada. Isto anda a destruir o meu casamento.”

Crianças... 

“Deixou as fraldas na altura certa, sem dramas ou dificuldades por aí além, tanto de dia quanto de noite. Agora com 6 anos, assim de repente, começou a fazer xixi na cama, quase todas as noites. Já lhe reduzimos os líquidos que bebe á noite, recomendamos sempre o último xixi antes de ir para a cama dormir, mas nada resultou...”

“Não conseguimos controlá-la. Ela manda em nós. E quando a contrariamos é birra certa. Mas birra que nunca mais acaba. Não saímos, não convivemos com amigos, estamos sempre á espera que ela do nada, só porque é contrariada ou lhe dizemos não, desate numa birra absolutamente incontrolável. Morremos de medo do comportamento dela.”

“Estou preocupada e antes de qualquer sinal que eu repare na minha filha, prefiro vir cá e tentar perceber se há alguma coisa que possa estar a ocorrer e que nós não estamos a conseguir ver. Estivemos casados 12 anos. Ela tem 7. Agora, porque chegámos á conclusão que já não dá continuarmos juntos, vamo-nos separar. Estamos apreensivos com as consequências desta situação no comportamento da nossa filha.”

“Não que tivéssemos reparado que ela fizesse este tipo de coisas em casa. Aliás, em casa, ela tem um comportamento que consideramos, normal. No entanto, a Professora chamou-nos e referiu que ela se isola muito na escola, não interage com os coleguinhas da turma, tem algumas dificuldades em concentrar-se, tem observações despropositadas e é de difícil trato quando contrariada.”

“De repente começou com uns medos absolutamente descontrolados. Tem medo de estar em casa sozinho. Tem medo de ir á rua sozinho. Temos que ir levá-lo á escola, porque acha sempre que as pessoas olham para ele com ar estranho e que o vão raptar e fica sem nós. Até o vento em dias de chuva, nas janelas, o apavora”.

Adolescentes... 

“Nós não gostamos dos amigos dele. São estranhos, sabe. E de repente o meu filho também me parece estranho. As roupas, as músicas, o isolamento. Agora até deu para começar a fumar...Ele não queria vir. Mas eu e o pai achamos que ele tinha mesmo que vir. Parece-nos que ele precisa de ajuda e nós não sabemos como fazê-lo”

“A única coisa que lhe posso dizer é que me assustei! De repente entrei no quarto e não reconheci a minha filha de tão magra que está... Não sei como não vi, mas sabe, a moda de hoje é assim tudo roupas largas... e não deu para perceber. Começou por uma dieta, porque se achava gorda e agora está num estado que só me apetece chorar...”

“Sempre foi uma criança estável. Estudante, responsável. Agora no 6º ano, é só reclamações dos professores. As notas baixaram, teve 4 negativas no período, o comportamento dele alterou-se, passou de bem comportado para o grupo dos mais mal comportados, perguntamos-lhe o que se passa e ele diz que não sabe...Já não sabemos o que fazer com ele.”

“Passa o tempo no quarto. Está no 9º ano e o aproveitamento até tem sido bom. Mas anda triste. Muito triste. Mal entra em casa vai para o quarto. Só aparece para comer, não fala e logo de seguida volta para o quarto. É verdade que ela nunca foi muito de partilhar assuntos connosco, mas agora é um silêncio absoluto. Falei com ela e ela reconhece que anda desmotivada, triste, sem vontade para nada, nem para se divertir com as amigas. Sugeri-lhe vir a uma consulta de psicologia, porque nós não sabemos o que fazer para a ajudar e ela concordou.”

Fale Comigo