De mim... para si

Há olhares doridos, sofridos
E baços, sufocados pela dor...
Há gestos cansados, esgotados,
Gélidos e carentes de amor...


Há um universo de emoções
Trancadas, calcadas, recalcadas,
Pelo pânico das sensações
Que despertam, quando pensadas.


Há um alento pela dádiva,
Na procura de suporte,
Quando de uma forma cálida


Eu amparo e, feita forte,
Limpo com ternura a lágrima,
De quem chora a própria morte!

Ana de Ornelas

Não sei se é desalento,
Se o que sinto é um lamento
Que me corrói e abate
nesta tristeza permanente

Que às vezes fica...
Às vezes parte...
E outras destrói...
E dói...
E faz-me triste...
E choro...
Não sei porquê...
Ou talvez saiba...
E choro...
O sabor das lágrimas,
Não o sinto.
O correr das lágrimas,
Não o pressinto.
Mas choro...
Não entendo...
Não compreendo...
Olho-me ao espelho...
Se, ao menos, eu soubesse porque entristeço!
Se, ao menos, eu soubesse porque choro!
Talvez o entendesse!
Talvez, finalmente, entristecesse!
Talvez aceitasse esta dor que aperta,
E, às vezes, mata!

Ana de Ornelas

Fale Comigo