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Revendo-me... em si
Escrever é terapêutico. A poesia é uma forma de dar corpo a emoções, por vezes, insuspeitamente enterradas bem no fundo do que nos compõe a humanidade. E, quando o traço surge no papel, evidente, tangível, e a luz do dia lhe incide, descobrimos as emoções escondidas, descobrindo-nos e reinventando-nos, contextualizamos, interpretamos e renovamo-nos.
Ao escutar os meus clientes, escuto, também, o eco que em mim despertam. As palavras que me surgem, nesses momentos de encontro, confio-as às páginas que vou virando à vida.
Ao partilhar consigo, momentos e emoções, partilho, igualmente, um desafio: deixe que o seu sentir flua livremente e permita-se dizer o que lhe percorre a alma. E, se quiser partilhar comigo o que escreveu, envie-me os seus textos por mail. Nas emoções dos outros, por vezes, encontramos as nossas!
Simplesmente, Sonetos...
“Vários tipos de amor...”
Amor estranho...
Meus olhos, cansados de não brilhar,
Procuram a medo o teu rosto,
Derretidos pelo calor, talvez por ser Agosto,
E cerram-se fixos e carentes no teu olhar.
Meus lábios, secos e frios de procurar,
Algo doce e terno com sabor a mosto,
Quedam doentes e isentos de gosto
Do mel e do fel do teu amar.
Por uns segundos vazios de dar,
Por uns instantes crus de dor,
Eu peço, eu quero acreditar
Que nesse teu tão estranho amor,
Mesmo que não o queiras aceitar,
É o meu nome, que chamas, com fervor.
Ana de Ornelas |
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Amor louco...
Desculpa, por tudo aquilo que disse,
Por tudo o mais que calei,
Por tudo o que sempre desdisse
E por mais, que eu já não sei!
Desculpa, por sentir o que sentisse,
Por negar o que sempre chorei,
Por tudo o que não se visse
E por mais, que eu já não sei!
Foi por amor que eu o fiz.
Um amor imensurável e louco,
Que só queria ser feliz...
E que mesmo sendo louco e pouco,
E nunca amando o que sempre quis,
Na loucura se manteve e da vida se fez oco...
Ana de Ornelas |
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Amor silencioso...
Á noite, quando a teu lado me deito
E me agarro ao teu calor,
Procuro, na loucura do leito
A certeza do teu amor...
Impotente, sufoco no meu peito
A angústia, o medo e a dor
Deste meu eu, deste meu jeito,
Deste amor meu tão sofredor...
Quisera eu, silenciosamente, saber dizer
Algo diferente do que redigo e repito
Cansada de nada poder fazer...
Eu te amo, loucamente...amor maldito!
Amor querido! Em mim, por favor, faz por ler
O que sempre disse e o que nunca foi dito!
Ana de Ornelas |
Amor obsessivo...
Dizem que sou louca por te amar assim,
Por te querer de um modo obsessivo,
Por te envolver num abraço sem fim,
Por te prender com um jeito efusivo.
Dizem que enlouqueci de tanto querer para mim,
Este teu lado completamente lascivo,
Com que me alimento e vivo, enfim...
Em tormento, dor e amor decisivo.
Mas eu vivo! De saudável pensar e mente!
De vivência amada e colorida,
Oh, olhos e falas de discurso demente!
A minha alma feliz não está ferida!
O meu coração não está dormente...
A minha vida está, deliciosamente florida...
Ana de Ornelas
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Amor sentido...
Soltaste um beijo no teu sorrir
E, devolveste ao meu olhar,
A luz, o sol e o florir
De alguém que começa a amar...
Soltaste o gesto e deixaste vir,
Para o meu corpo a balançar,
O desejo firme e real de te servir
E como amante, te acalmar...
Será isto amor ou paixão?
Será isto loucura ou sanidade?
Será isto apenas tesão?
Não importa. Sei, a minha realidade!
Conheço, o meu coração!
Basta-me a minha verdade!!
Ana de Ornelas
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Amor doente...
Por cada noite em que me deito ao teu lado,
E tento deixar-me ir nas asas do sonho,
lembro cada dor que me marca o passado,
E sei que passei mais um dia medonho!
Relembro o meu corpo negro, marcado,
Pelas mãos e boca dum rosto tacanho,
Vincado e disforme pelo álcool danado
Que me mata, tortura e deixa um sabor estranho...
Amas-me entretanto e o teu amar, que se mistura
Com o ódio, a raiva, o sangue e mágoa
Que desliza do meu corpo e me tortura,
Baralha o meu ser carente e sedento de água
Doce, limpa, fria e sobretudo pura
Que lava a minha alma e lentamente desagua...
Ana de Ornelas |
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